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11.4.2018

A experiência de uma startup de governo no maior evento de economia criativa do mundo, o SXSW, em Austin no Texas.

Saiba os detalhes da experiência de uma startup de governo no maior evento de economia criativa do mundo, o SXSW, em Austin no Texas.

Opa! Gustavo Maia falando aqui. :)

Cheguei em Austin dia 09 de março à tarde, deixei a mala no hotel e parti direto para o Centro de Convenções da cidade para pegar meu crachá e liberação para entrar em todas as palestras.

O SXSW é um evento diferente de tudo que já vi! O impacto dele em uma importante cidade como Austin é incrível. Simplesmente a cidade pára e recebe milhares de pessoas dos 4 cantos do mundo. As pessoas andam pelas ruas, entram e saem das dezenas de locais que abrigam palestras, meetups, happy-hours e discussões sobre economia criativa.

convite do evento

Durante o evento, é possível atravessar a rua e dar de cara com um batmóvel da última trilogia do Batman estacionado ali no meio da calçada. Você pode estar indo pegar um café ou um chopp em um bar e dar de cara com o Kobra - artista brasileiro famoso por seus grafittis - pintando um painel gigante em uma das paredes da cidade.

área co grafiti do Kobra

As palestras se concentram no Centro de Convenções da cidade, hotéis luxuosos como o JW Marriot, Hilton e Fairmont, além de co-workings, restaurantes, tendas montadas no meio da rua, etc. Definitivamente é um evento que pára todo o centro da cidade!!

Para um negócio de tecnologia e gestão pública como o Colab, previamente analisei as palestras e percebi que os temas mais interessantes seriam relacionados a Inteligência Artificial e Governo. Algumas das palestras escolhidas foram:

  • Government on Demand: .Gov services;
  • Artificial Intelligence and the future of work
  • Disrupting Local Government Mayoral
  • Making Government Better with Better Technology
  • Helping Startups to Sell to the Government

Em uma delas, sobre Inteligência Artificial, um engenheiro fundador da assistente pessoal "Siri" anteviu o avanço da tecnologia e da inteligência artificial para melhorar a vida das pessoas. Para ele, nos próximos dois anos teremos assistentes pessoais realmente capazes de satisfazer nossas necessidades de pesquisa e busca por serviços que facilitem nossa vida. Por exemplo, em dois anos nossos assistentes pessoais com base em inteligência artificial serão "capazes de saber a data do casamento do seu irmão, e com isso já buscar as melhores passagens no horário que você mais gosta de viajar, por um preço bom, escolher um presente que seu irmão goste e que você possa pagar e você simplesmente poderá autorizar tudo isso. Esse é o futuro da área e acredito que estamos perto", disse.

Em uma outra, 3 prefeitos de cidades norte-americanas falavam sobre engajamento da população e participação popular em seus governos através da tecnologia.

Um insight importante que percebi: o que fazemos no Colab no Brasil tem dimensão e capacidade para existir em qualquer lugar do planeta, em especial nos Estados Unidos. Consegui perceber que os trabalhos que fizemos em Teresina na Revisão do Plano Diretor, o Planejamento Estratégico do Futuro realizado em Contagem ou o Orçamento Participativo da Juventude feito em Niterói, todos de forma participativa e por dentro da rede social Colab, são políticas públicas que no Brasil já são realidade enquanto para os norte-americanos ainda são um sonho.

Uma pequena pausa no Governo e na Inteligência Artificial para você estar tranquilo em uma palestra e de repente um dos maiores ícones da tecnologia do mundo entra no palco sem sequer ser avisado: Elon Musk, fundador e CEO da Tesla e SpaceX estava presente no SXSW.

Apresentação Elon Musk

O evento é tão aberto e com tanta gente incrível que eles promovem meetups - que são uma espécie de reunião/happy-hour/bate-papo/algo-do-tipo com pessoas diversas a partir de temas. Apareci em um relacionado ao governo e numa sala/bar estavam os 3 prefeitos da palestra que havia assistido, ali, tomando um chopp e conversando besteira com quem quisesse entrar na roda. Claramente, o desafio de engajar a população e trazê-la para melhorar a gestão pública é global e todos estão pensando em como fazer utilizando as tecnologias que estão aí e as que ainda estão por vir.

Quatro dias depois e com muito aprendizado na bagagem, concluí algumas coisas:

1. Tudo que assistimos em BlackMirror (série do Netflix sobre futuro) não só é possível como a maioria já está de fato sendo executado e acontecendo em diversas empresas e locais nos Estados Unidos;

2. A diferença do uso de algumas tecnologias no dia-a-dia do americano para o dia-a-dia do brasileiro ainda estão muito distantes. Enquanto você vai em um supermercado de qualquer cidade e a maioria dos caixas são autônomos (inclusive, as máquinas já estão até velhas de tão usadas), os pagamentos são feitos de forma muito mais prática apenas com os smartphones, e tudo de uma forma já massificada, aqui no Brasil temos no máximo uma ou duas lojas conceito testando algum tipo dessa tecnologia. Carro autônomo, por exemplo, é um teste real em diversos estados americanos, aqui passamos longe de sequer pensarmos nas legislações que terão que ser revistas para abrigar essa evolução;

3. A inteligência artificial pode ser utilizada para "o bem" ou para "o mal". Difícil segurar seus avanços e como a tecnologia avança exponencialmente, muito em breve teremos realidades completamente diferentes no nosso dia-a-dia;

4. No mundo e, principalmente aqui no Brasil, PRECISAMOS avançar para que as tecnologias aproximem mais a população, para que mais pessoas tenham acesso ao que parece ser algo do futuro, mas que em outros países já é algo comum. Se ainda não temos a capacidade de desenvolvimento de tantas tecnologias para competir com o mundo, que, pelo menos, não nos fechemos para o que está acontecendo fora do país.

Por fim, gostaria de agradecer ao SEBRAE que nos proporcionou essa experiência após sermos vencedores do PitchGov, competição de startups realizada pelo Governo do Estado de São Paulo.

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A democracia que conhecemos veio com a República? 

A resposta é não. Mesmo com o fim da escravidão e do império, o voto ainda era direito de poucos e excluía mulheres, analfabetos, mendigos, soldados de baixa patente, menores de  21 anos, padres e índios. 

Mas não pense que a exclusão de uma renda mínima aumentou consideravelmente o número de de eleitores, porque não mudou muito não: apenas 2% da população elegeu o primeiro presidente por eleições diretas, Prudente de Morais.


Os coronéis e os votos de cabresto

Acho que todo mundo já ouviu o termo “coronelismo” ou assistiu filmes e novelas de época nos quais existiam coronéis. O coronel, figura que existiu entre 1889 e 1930, era geralmente um fazendeiro rico que coagia seus “protegidos” a votarem em seu candidato de preferência, prática conhecida como voto de cabresto, já que as pessoas não podiam escolher seus candidatos livremente. 

As fraudes nessa época também eram constantes, já que não havia um órgão imparcial de controle das eleições e votos eram inventados e feitos no nome de outras pessoas - algumas que já tinham até morrido. Cabe lembrar que nesta época os votos ainda não eram secretos.


O voto feminino

Apesar da luta das mulheres no Brasil ter começado no final do século XIX, foi apenas em 1932, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, que parte delas conquistaram o direito ao voto. 

Para ter direito à votar em 1932, as mulheres precisavam ser casadas e ter a permissão do marido, ou viúvas e solteiras que possuíssem renda própria. O direito ao voto só foi estendido a todas as mulheres em 1934, sendo facultativo a elas, mas obrigatório a todos os homens.

O voto secreto também foi instituído nesta época, porém, Vargas suspendeu as eleições com a implantação do Estado Novo. As eleições só voltaram a ser diretas em 1946, tornando-se o voto obrigatório também para as mulheres.


As eleições foram suspensas na ditadura?

Algumas sim, mas nem todas. 

Durante o período ditatorial (1964-1985), a população não tinha direito ao voto direto para Presidente da República, podendo escolher apenas os representantes do Poder Legislativo (deputados e vereadores), que deviam estar inscritos em um dos dois partidos da época: o Arena (partido dos militares) e o MDB (partido que existe até hoje e reuniu toda a oposição). 

Assim como o presidente, os senadores, governadores e prefeitos também eram eleitos indiretamente, alguns através de indicações dos Colégios Eleitorais.


Enfim, a democracia!

Com o fim da ditadura militar e com o advento da Constituição Federal de 1988, brasileiras e brasileiros puderam voltar a exercer sua cidadania através do voto. No ano de 1989, o Brasil elegeu seu primeiro presidente através do voto direto e universal, Fernando Color de Mello. 


E aí, sabia que o processo para adotarmos o voto universal e igualitário no Brasil tinha sido tão difícil? Muitas pessoas lutaram e morreram para termos esse direito, por isso não deixe de votar e seja consciente ao fazê-lo. 

Apesar de ser o mais popular, o voto não é o único mecanismo de participação social que existe, e como esse é o mês da participação popular no Colab, nós vamos abordar outras formas de participação nos próximos conteúdos. 

Quer aprender mais sobre isso? Então fica ligadinho aqui no blog ;)


 

Gustavo Maia

Sobre o autor

Graduado em Comunicação Social, especialista em Soluções Colaborativas para Governo na Universidade de Harvard. Membro RAPS e Movimento Agora!