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3.12.2018

Entenda porque o ONU-Habitat quer priorizar a visão do cidadão

Quer entender porque a ONU-Habitat quer priorizar a visão do cidadão? Confira o nosso artigo e entenda a importância dessa priorização.

Suponha que você é responsável por uma empresa que é responsável pelo jardim das casas de um bairro inteiro. Suas responsabilidades são: garantir que as flores cresçam bonitas e saudáveis, que a grama fique verde, que a irrigação automática está funcionando normalmente, dentre outras coisas. Um belo dia você está na padaria e um amigo seu te faz a seguinte pergunta, e você percebe que não sabe respondê-la:

  • Como estão os jardins que sua empresa cuida? As flores estão saudáveis? E a grama?

Você não ia querer deixar essa pessoa sem resposta, ia? Afinal, você percebeu que não sabia responder se o trabalho que você está empenhando esforços e recursos está dando certo. E então você percebe que o jeito mais rápido e efetivo de você saber como está o jardim, seria perguntando para quem é dono(a) do jardim. Afinal, é ele(a) que vê o jardim todos os dias, que percebe o cheiro das flores, que percebe cada detalhe que precisa ser melhorado.

Se você mesmo fosse fazer uma análise desta, sozinho(a), não haveria tempo hábil para ir em cada um dos jardins. E mesmo que você tivesse o tempo, demoraria muito!

Banner com o texto "Sua cidade está perto de se tornar sustentável? Precisamos da sua opinião!"

Imagina comigo agora mais uma coisa: se essa análise detalhada seria complexa de ter sobre um único bairro, imagina se você tivesse que avaliar a qualidade dos jardins do Brasil inteiro? Esse é o desafio que o ONU-Habitat apresentou ao Colab.

Através do aplicativo, a mesma metodologia empregada em um bairro (para o qual você poderia usar o telefone, por exemplo) funciona - e muito bem - para a análise de mais de 5000 municípios. Toda essa história foi para te mostrar que:

Ao invés de jardins, são cidades. Ao invés de um bairro, é cada cidade do Brasil. E você é o dono, ou a dona, desse jardim chamado "cidade".

Rayne Ferretti Moraes, responsável pelo ONU-Habitat no Brasil explica:

"A gente acredita que para pensar e construir cidades melhores, temos que ouvir a população. Nós precisamos retornar os dados e relatórios para que todos tenham conhecimento de como a sua cidadania está percebendo a cidade"

Percebe a sua, a minha, a nossa responsabilidade?

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A democracia que conhecemos veio com a República? 

A resposta é não. Mesmo com o fim da escravidão e do império, o voto ainda era direito de poucos e excluía mulheres, analfabetos, mendigos, soldados de baixa patente, menores de  21 anos, padres e índios. 

Mas não pense que a exclusão de uma renda mínima aumentou consideravelmente o número de de eleitores, porque não mudou muito não: apenas 2% da população elegeu o primeiro presidente por eleições diretas, Prudente de Morais.


Os coronéis e os votos de cabresto

Acho que todo mundo já ouviu o termo “coronelismo” ou assistiu filmes e novelas de época nos quais existiam coronéis. O coronel, figura que existiu entre 1889 e 1930, era geralmente um fazendeiro rico que coagia seus “protegidos” a votarem em seu candidato de preferência, prática conhecida como voto de cabresto, já que as pessoas não podiam escolher seus candidatos livremente. 

As fraudes nessa época também eram constantes, já que não havia um órgão imparcial de controle das eleições e votos eram inventados e feitos no nome de outras pessoas - algumas que já tinham até morrido. Cabe lembrar que nesta época os votos ainda não eram secretos.


O voto feminino

Apesar da luta das mulheres no Brasil ter começado no final do século XIX, foi apenas em 1932, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, que parte delas conquistaram o direito ao voto. 

Para ter direito à votar em 1932, as mulheres precisavam ser casadas e ter a permissão do marido, ou viúvas e solteiras que possuíssem renda própria. O direito ao voto só foi estendido a todas as mulheres em 1934, sendo facultativo a elas, mas obrigatório a todos os homens.

O voto secreto também foi instituído nesta época, porém, Vargas suspendeu as eleições com a implantação do Estado Novo. As eleições só voltaram a ser diretas em 1946, tornando-se o voto obrigatório também para as mulheres.


As eleições foram suspensas na ditadura?

Algumas sim, mas nem todas. 

Durante o período ditatorial (1964-1985), a população não tinha direito ao voto direto para Presidente da República, podendo escolher apenas os representantes do Poder Legislativo (deputados e vereadores), que deviam estar inscritos em um dos dois partidos da época: o Arena (partido dos militares) e o MDB (partido que existe até hoje e reuniu toda a oposição). 

Assim como o presidente, os senadores, governadores e prefeitos também eram eleitos indiretamente, alguns através de indicações dos Colégios Eleitorais.


Enfim, a democracia!

Com o fim da ditadura militar e com o advento da Constituição Federal de 1988, brasileiras e brasileiros puderam voltar a exercer sua cidadania através do voto. No ano de 1989, o Brasil elegeu seu primeiro presidente através do voto direto e universal, Fernando Color de Mello. 


E aí, sabia que o processo para adotarmos o voto universal e igualitário no Brasil tinha sido tão difícil? Muitas pessoas lutaram e morreram para termos esse direito, por isso não deixe de votar e seja consciente ao fazê-lo. 

Apesar de ser o mais popular, o voto não é o único mecanismo de participação social que existe, e como esse é o mês da participação popular no Colab, nós vamos abordar outras formas de participação nos próximos conteúdos. 

Quer aprender mais sobre isso? Então fica ligadinho aqui no blog ;)


 

Colab

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