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14.5.2015

Manual de sobrevivência no busão

Se você ainda não se acostumou com as mil e uma desventuras que um pequeno itinerário é capaz de oferecer, confira 5 dicas para andar de ônibus sem cair em ciladas!

Quem é que não tem uma história trágica ou engraçada para contar envolvendo um ônibus? A partir do momento em que passamos por aquela roleta, tudo pode acontecer: desde o veículo pifar por falta de manutenção e despejar todos os passageiros em plena via expressa, até uma troca de socos inesperada entre o trocador e o usuário cara de pau que resolveu pagar a tarifa com uma nota de cem reais.

Se você ainda não se acostumou com as mil e uma desventuras que um pequeno itinerário é capaz de oferecer, confira 5 dicas para andar de ônibus sem cair em ciladas (e até aproveitar o caos para se divertir):

Fone, pra que te quero

Se vai para a guerra, é melhor ir precavido. Portanto, arme-se com os seus melhores apetrechos: basicamente um fone de ouvido conectado ao celular e um livro. O primeiro evita que o canal auditivo se transforme em vaso sanitário durante o percurso: é melhor ouvir as suas músicas preferidas do que posições extremistas sobre política, palavrões e casos de assassinato com requintes de crueldade, concorda? Já o livro impede qualquer tipo de abordagem inconveniente quando você estiver de mal humor, além de ser uma maneira construtiva de aproveitar engarrafamentos para manter a leitura em dia.

Não seja pego de surpresa pelo fim do mundo

Você resolve tomar o ônibus mais cedo para chegar ao trabalho sem risco de atrasos. Aí consegue um lugar ótimo, do lado da janela, quando fica sabendo, por um pregador eventual que acabou de se sentar ao seu lado, que o mundo está condenado à extinção. Então você pensa que, se o mundo vai acabar, não faz sentido correr pra pegar o busão, muito menos pra bater o ponto. Mas já é tarde. Você caiu na ladainha do pregador eventual.E, com os pregadores eventuais, não adianta discutir ponto de vista. Independente da religião, eles vão tentar te converter entre uma parada e outra. Para não ter sua alma atirada nas chamas do inferno em plena segunda-feira de manhã, o melhor a se fazer é concordar com os sermões, aceitando o material que gentilmente lhe entregam. Afinal, quem mandou você ir trabalhar vestido com camiseta do Black Sabbath?

Ponha pra fora o Martin Luther King que existe em você

O ônibus é uma amostra em quatro rodas das muitas pequenas injustiças que ocorrem no dia a dia de uma metrópole. A lei do assento preferencial então é uma das mais burladas ao usar transporte público. E que se dane o idoso que precisa se equilibrar nos trancos do motorista: o jovem imberbe que está no seu lugar finge aquele soninho fora de hora, esperando só a sua parada para sair pela porta da frente sem pagar passagem.Não se preocupe se for tomado por um ímpeto de revolta: reclame com os folgados, e sempre — eu disse sempre! — ceda o seu lugar para os mais velhos e crianças. Já pensou se fossem seus avós naquela situação de desamparo?

Ser ou não ser sardinha: eis a questão

A cena é comum. Vai dando seis da noite e os ônibus começam a passar em fila, sem parar, com gente saindo pela janela de tão lotados. Muitas vezes não adianta nem fazer sinal, que o motorista fatalmente irá ignorar sua súplica. Nessa circunstância, o dilema é simples: ou você se dispõe a ser amassagado como se estivesse numa lata de sardinha, ou assume que chegará atrasado e aguarda (pausa para o tempão que irá aguardar) um ônibus mais vazio. Pra quem decide ficar no ponto, o risco é de assalto. Pra quem encara a lata de sardinhas ambulante, o risco é muito maior: ser nocauteado por aquele cheiro de desodorante vencido que ninguém sabe de onde vem.

"Eu podia estar roubando"

Um dos personagens mais clássicos do universo dos busões é, sem dúvida, o vendedor ocasional de balas e canetas. Com o discurso decorado que sempre começa com "Eu podia estar roubando...." crianças, jovens, adultos ou idosos tentam te comover ao lembrá-lo da desigualdade social que assola o país. Quando você se dá conta, chega ao seu ponto sem nenhum trocado, mas carregado de saquinhos com balas chita, canetas sem tinta, cartelas de adesivos infantis e a estranha impressão de que deveria fazer muito mais pelas pessoas.Porém, a principal dica para "sobreviver" ao usar transporte público é uma só: gentileza. Palavrinhas simples como "Bom dia", "Boa tarde", "Boa noite" e "Obrigado" são códigos de conduta com o potencial de evitar socos e pontapés a cada andar de ônibus.

Ceder o lugar, não olhar torto para o gordinho que porventura venha a lhe espremer no banco, auxiliar deficientes físicos e ser cortes com motoristas e trocadores. Essas atitudes transformam os minutos que diariamente gastamos para nos locomover até o trabalho em gratificantes momentos de cidadania e convívio social. Não custa destacar: se é pra ser sardinha, que pelo menos seja de uma marca boa.

E então, curtiu as dicas do nosso manual de sobrevivência para andar de ônibus? Tem muitos causos que gostaria de compartilhar com a gente? Participe através dos comentários e ajude a deixar esse post ainda mais emocionante!

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A democracia que conhecemos veio com a República? 

A resposta é não. Mesmo com o fim da escravidão e do império, o voto ainda era direito de poucos e excluía mulheres, analfabetos, mendigos, soldados de baixa patente, menores de  21 anos, padres e índios. 

Mas não pense que a exclusão de uma renda mínima aumentou consideravelmente o número de de eleitores, porque não mudou muito não: apenas 2% da população elegeu o primeiro presidente por eleições diretas, Prudente de Morais.


Os coronéis e os votos de cabresto

Acho que todo mundo já ouviu o termo “coronelismo” ou assistiu filmes e novelas de época nos quais existiam coronéis. O coronel, figura que existiu entre 1889 e 1930, era geralmente um fazendeiro rico que coagia seus “protegidos” a votarem em seu candidato de preferência, prática conhecida como voto de cabresto, já que as pessoas não podiam escolher seus candidatos livremente. 

As fraudes nessa época também eram constantes, já que não havia um órgão imparcial de controle das eleições e votos eram inventados e feitos no nome de outras pessoas - algumas que já tinham até morrido. Cabe lembrar que nesta época os votos ainda não eram secretos.


O voto feminino

Apesar da luta das mulheres no Brasil ter começado no final do século XIX, foi apenas em 1932, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, que parte delas conquistaram o direito ao voto. 

Para ter direito à votar em 1932, as mulheres precisavam ser casadas e ter a permissão do marido, ou viúvas e solteiras que possuíssem renda própria. O direito ao voto só foi estendido a todas as mulheres em 1934, sendo facultativo a elas, mas obrigatório a todos os homens.

O voto secreto também foi instituído nesta época, porém, Vargas suspendeu as eleições com a implantação do Estado Novo. As eleições só voltaram a ser diretas em 1946, tornando-se o voto obrigatório também para as mulheres.


As eleições foram suspensas na ditadura?

Algumas sim, mas nem todas. 

Durante o período ditatorial (1964-1985), a população não tinha direito ao voto direto para Presidente da República, podendo escolher apenas os representantes do Poder Legislativo (deputados e vereadores), que deviam estar inscritos em um dos dois partidos da época: o Arena (partido dos militares) e o MDB (partido que existe até hoje e reuniu toda a oposição). 

Assim como o presidente, os senadores, governadores e prefeitos também eram eleitos indiretamente, alguns através de indicações dos Colégios Eleitorais.


Enfim, a democracia!

Com o fim da ditadura militar e com o advento da Constituição Federal de 1988, brasileiras e brasileiros puderam voltar a exercer sua cidadania através do voto. No ano de 1989, o Brasil elegeu seu primeiro presidente através do voto direto e universal, Fernando Color de Mello. 


E aí, sabia que o processo para adotarmos o voto universal e igualitário no Brasil tinha sido tão difícil? Muitas pessoas lutaram e morreram para termos esse direito, por isso não deixe de votar e seja consciente ao fazê-lo. 

Apesar de ser o mais popular, o voto não é o único mecanismo de participação social que existe, e como esse é o mês da participação popular no Colab, nós vamos abordar outras formas de participação nos próximos conteúdos. 

Quer aprender mais sobre isso? Então fica ligadinho aqui no blog ;)


 

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