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4.3.2020

Elas votam: o movimento sufragista no mundo

Uma das maiores lutas femininas nos séculos XIX e XX foi pelo voto. De manifestações pacíficas a atitudes extremas, elas conquistaram esse direito, e nós te contamos tudo sobre isso neste artigo.

Durante décadas, mulheres lutaram ativamente para conquistarem igualdade de direitos com os homens. Uma das mais expressivas lutas foi o movimento sufragista, ocorrido entre os séculos XIX e XX no mundo todo.

Neste artigo, vamos te contar como as sufragistas conquistaram o lugar das mulheres na democracia.

Histórico

Europa, século XIX. A Revolução Francesa ainda iluminava os pensamentos de todos. As mulheres pertencentes à burguesia eram altamente instruídas, enquanto as da classe trabalhadora já estavam empregadas em grandes fábricas devido à Revolução Industrial. Ambas viviam em um mundo em que mulheres não possuíam os mesmos direitos que os homens, mas exerciam papéis fundamentais na sociedade e na economia, então por qual motivo não podiam ajudar a decidir o destino do local onde moravam?


A partir daí, nasceu o movimento pelo voto (ou sufrágio) feminino, que mais tarde tomou conta do mundo, se tornando a primeira onda do movimento feminista

A luta

Após grande luta das mulheres neozelandesas, a Nova Zelândia foi o primeiro país a instituir o voto feminino em 1893. Esta conquista teve repercussão na Inglaterra, local onde se desenrolaram os desfechos mais trágicos do movimento. 

As principais ações das sufragistas inglesas eram baseadas em 4 frentes: campanhas publicitárias, manifestações não violentas, manifestações violentas e greves. 

Muitas mulheres foram presas neste período numa tentativa do governo de deter os protestos. Isto porque, além do direito ao sufrágio, as mulheres da classe operária também reivindicavam melhores condições de trabalho, já que possuíam salários menores e haviam preenchido as vagas de trabalho de homens mortos na 1ª Grande Guerra. 

O ápice do movimento sufragista inglês foi em 1913, quando uma professora chamada Emily Davison se jogou na frente do cavalo do Rei Jorge V durante uma corrida, o que chamou a atenção de todos e acabou causando a morte da ativista. Assim, a morte de Emily tornou-a mártir do movimento e deu mais força às sufragistas, que finalmente conquistaram o direito ao voto, para mulheres com mais de 30 anos, em 1918. A igualdade democrática só veio 10 anos depois, quando as mulheres, assim como os homens, puderam votar a partir dos 21 anos.

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Voto feminino nos EUA 

Após o sucesso da Inglaterra, não demorou muito para as estadunidenses  seguirem o mesmo caminho, porém, de forma mais pacífica que as inglesas e envolvendo as questões raciais, já que as mulheres negras também criaram movimentos em busca de igualdade racial e de gênero.

O voto feminino foi conquistado em 1920, contudo, mulheres e homens negros só puderam votar em todos os estados do país em 1960.

Voto à brasileira

O movimento sufragista brasileiro também começou no século XIX, junto com a constituinte da República, em 1890. Porém, o sufrágio feminino foi negado na época com a alegação de que ele poderia decretar o fim da “família brasileira”.

O Direito ao voto só foi conquistado pelo público feminino com a Revolução de 30, sendo instituído no Código Eleitoral de 1932. Podiam votar e ser votadas mulheres com mais de 21 anos, desde que fossem alfabetizadas, tivessem permissão de seus maridos ou fossem viúvas ou solteiras com renda própria.

O Código de 1934 revogou essas condições, mas estipulou o voto facultativo às mulheres, sendo obrigatório, assim como para os homens, somente em 1946.

Rio Grande do Norte à frente do tempo

Antes do voto feminino ter sido conquistado no Brasil, a luta das potiguares teve duas vitórias: a primeira eleitora tupiniquim, que votou em 1928 para uma eleição complementar do Senado; e a primeira prefeita eleita do Brasil, na cidade de Lajes, também em 1928.

Apesar da eleição do Senado ter sido cancelada por não terem aceito um voto feminino e da prefeita ter tido seu mandato interrompido pela Revolução de 30, essas conquistas foram muito expressivas para a causa sufragista no Brasil.

Mais de oito décadas depois… a luta continua!

Após quase 90 anos passados desde a conquista do direito ao voto, atualmente as mulheres representam cerca de 52% do eleitorado brasileiro.
Todavia, elas compuseram apenas 31,89% do grupo que se candidatou às eleições municipais em 2016, mesmo com a promulgação da Lei Federal 9.504/97, que determina que nas eleições proporcionais (deputados e vereadores) todos os partidos deverão preencher pelo menos 30% das candidaturas de cada sexo.

O empoderamento feminino é essencial para que as mulheres ocupem seu espaço e seu lugar de fala na sociedade. Para saber mais sobre esse movimento, utilizando apenas 1h46min do seu tempo, sugerimos que você assista o filme “As sufragistas (Suffragette)”, da diretora Sarah Gravon e com a atriz ganhadora de 3 Oscars, Meryl Streep.  


Ana Mendonça

Sobre o autor

Ana Mendonça é jornalista e gestora de políticas públicas. Defensora de uma linguagem simples na administração pública, acredita no poder do cidadão e no protagonismo do servidor.