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20.5.2020

Vigilância Participativa: Tudo que você precisa saber, com Onício Leal

Eu conversei com o epidemiologista Onício Leal, CEO da Epitrack, e ele me explicou o que é, onde surgiu e pra quê serve a vigilância participativa.

O Brasil Sem Corona, movimento que já conta com o apoio e a participação de milhares de pessoas, utiliza a ciência para monitorar o avanço da Covid-19 no Brasil. 

A ferramenta utilizada para esse fim se chama vigilância participativa e é um método científico que já teve sua eficácia comprovada e está sendo utilizado em diversos países do mundo todo desde o início dos anos 2000.

Eu conversei com o epidemiologista Onício Leal, que é especialista no assunto, e ele me contou tudo sobre vigilância participativa. Você confere nosso bate-papo neste artigo.

O que é vigilância participativa?

Onício Leal: A vigilância participativa é um método científico e colaborativo que foi criado em 2003 na Europa. Alguns países se uniram para criar uma ferramenta online que ajudasse a monitorar o avanço do vírus da influenza no continente, usando como principal fonte de informação os relatos da população.
Com a compilação e tratamento de dados por parte dos cientistas, foi possível verificar quais áreas continham mais casos e precisavam de mais atenção, além de prever possíveis surtos.

Para quê ela serve em períodos de pandemia?

Onício Leal: Durante uma pandemia é necessário conhecermos com maior rapidez as áreas com maior risco para então ser possível o monitoramento e intervenção. Estratégias como a vigilância participativa permitem estes tipos de ação.

Ela empodera a população a exercer sua cidadania e auxiliar sua cidade, ajuda os gestores públicos a tomarem decisões e intervirem de maneira mais rápida, além de diminuir a incidência de riscos maiores.


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Qual é a diferença entre a vigilância participativa e outras formas de mapeamento?

Onício Leal: Algumas organizações estão utilizando estratégias de mapeamento de contatos, de forma passiva, de modo que muitos usuários se esquecem ou não percebem que estão sendo vigiados e têm seus dados coletados.

Porém, a vigilância participativa é exatamente o contrário disto. Os usuários sabem exatamente quais dados estão sendo coletados e como estão sendo usados, além de possuírem acesso à informações de sua região. Além disso, o anonimato é garantido a todos os participantes.

Quais são os benefícios da vigilância participativa no Brasil?

Onício Leal: A vigilância participativa simplifica o processo colaborativo de construção de informação de saúde, principalmente no Brasil com o SUS, que tem essência o controle social.

E nada melhor para gerar controle social do que a vigilância participativa, já que são os próprios indivíduos que abastecem o banco de dados, contribuindo de maneira ativa e eficiente, de maneira que todas as pessoas podem se beneficiar desta ação.

Outros países também estão utilizando a vigilância participativa para monitorar a ação do coronavírus?

Onício Leal: Sim. Estados Unidos, Alemanha, Coreia do Sul, Suíça, Índia, França, dentre outros.

A vigilância participativa já foi utilizada no Brasil? Quando?

Onício Leal: Sim, nós já utilizamos a vigilância participativa em grandes eventos no Brasil, como a Copa do Mundo de 2014, com a plataforma Saúde na Copa, e os Jogos Olímpicos de 2016, com a plataforma Guardiões da Saúde. Em ambos os projetos, o Ministério da Saúde utilizou oficialmente os instrumentos como fonte complementar de informação aos sistemas tradicionais. 


Agora que você já sabe o que é vigilância participativa, me conta: o que tá esperando para começar a exercê-la e participar do Brasil Sem Corona?


Ana Mendonça

Sobre o autor

Ana Mendonça é jornalista e gestora de políticas públicas. Defensora de uma linguagem simples na administração pública, acredita no poder do cidadão e no protagonismo do servidor.